Abro este espaço para escrever, entre outros assuntos, sobre escova progressiva, criada para baratear a escova definitiva, surgida em 1998, com os nomes de escova japonesa, recondicionamento térmico e escova definitiva. O japonês Satoru Nagata idealizou esse tratamento à base de tioclicolato de amônia.
Registre-se aqui que, se na escova definitiva se gastava de 6 a 8 horas de tratamento, na escova progressiva o tempo se reduz à metade. Este novo método de alisamento capilar (escova progressiva) ganhou o mercado de forma rápida, sendo que, a seguir, surgiu a escova progressiva à base de formol, criada por um cabeleireiro no subúrbio do Rio de Janeiro, de quem não me recordo o nome, mas tenho conhecimento que faleceu pobre, pois não patenteou seu invento. Esse cabeleireiro colocou o nome em seu invento de alisamento de cabelo com fórmula à base de formol de escova progressiva, porque, como o próprio nome já diz, a aplicação desse produto de forma correta alisava os fios de cabelo, que, progressivamente, voltavam ao estado natural.
Diante disso, a meu ver, as indústrias de cosméticos começaram a perder milhões de reais e o governo também passou a se preocupar com a arrecadação de impostos. Então, os meios de comunicação anunciaram que em Goiás a dona de casa Maria Eni da Silva, 31 anos, teria morrido, em março de 2007, depois de ter feito a escova progressiva, em Porangatu, a mais de quatrocentos quilômetros de Goiânia. Entretanto, em 17 de abril de 2007, saiu o laudo do Instituto de Criminalística (CI) de Goiás onde consta que não havia traços de formol no sangue, urina, vísceras e couro cabeludo e numa fronha da senhora Maria Eni da Silva. A reportagem sobre este assunto é facilmente encontrada no sítio eletrônico www.estadao.com.br. Mas, alguns órgãos de comunicação, não se sabe o motivo, não divulgaram o resultado do laudo, apesar de terem noticiado anteriormente a morte da dona de casa goiana.
A partir daí, as indústrias a favor do uso formol em fórmulas para alisamento de cabelos, acharam por bem alterar o nome de escova progressiva para escova de chocolate, escova inteligente, etc., todas com o mesmo objetivo de propiciar o alisamento dos fios capilares.
Hoje existem, para comercialização no mercado brasileiro, quatro tipos de produtos que compõem fórmulas para alisamento de cabelos. Para cabelos étnicos: hidróxido de sódio e guarnidina; para cabelos crespos: tioclicolato de amônia e formol, mas é evidente que há exceções e que para cada cabelo há necessidade de se fazer uma análise ténica com base nas características, natureza e comportamento dos cabelos, razão pela qual se faz necessário diagnóstico bem feito por profissional cabeleireiro, quem deverá indicar ao cliente os produtos adequados a serem aplicados em suas madeixas, após descrição/análise minuciosa, com base nos dados e/ou informações obtidos por meio de exame dos fios capilares.
O resto são apenas nomes que a indústria dá aos produtos que alisam cabelos.
Canso de assistir matérias pagas e algumas até equivocadas, a meu ver, como a que ocorreu recentemente no programa Bem Estar, na Rede Globo de televisão (1ª quinzena de fevereiro/2012), quando uma empresa representante de produtos à base de hidróxido de sódio afirmou no ar, através de seus representantes, que tioclicolato não alisa cabelos crespos, ao mesmo tempo em que propagavam somente os efeitos nocivos do formol, mas não informaram ao público o percentual de formol que é nocivo à saúde. Deixo claro que a revolução na química sobre afixamentos começou com produtos à base de tioclicolato de amônia e que produtos à base de formol (0,2) é permitido para uso, conforme legislação brasileira.
Remédios em doses erradas vira veneno.
Achei interessante esta matéria e aproveito passo a frente.
http://www.rspdermato.med.br/images/online/artigo_cuidadoscabelos.pdfVladimir Grisolia do Carmo.
Em 16-2-2012