ESCOVA PROGRESSIVA DE CARBOCISTEINA
A cada instante surge um novo produto no mercado para alisamento de cabelos. A onda agora é a escova de carbocisteina, substância esta que, na medicina, é usada para promover a expectoração das vias aéreas superiores e no tratamento de infecções agudas ou crônicas das vias respiratórias, como mucolítico e fluidificante das secreções.
Na qualidade de cabeleireiro, tenho meu posicionamento sobre produtos e técnicas para alisamento de cabelos, expressando a clientes e amigos um pouco sobre a aplicação da carbocisteina e de outros produtos em evidência no mercado brasileiro. Registro aqui, desde já, a importância de sempre se fazer teste antes da aplicação de quaisquer produtos nos cabelos, cujo emprego vestibular deve ocorrer próximo à nuca ou na franja, por motivos óbvios.
Atualmente, está sendo comercializado, como grande novidade na área de alisamento, no mercado brasileiro, produto à base de carbocisteina que é, na realidade, uma tratamento químico de oxi-redução em pH francamente ácido, na faixa de 1,0 - 1,5, associando-se o ácido glioxílico a uma base de amino-ácidos. Saliento que essa ação é operada em razão do ácido glioxílico ou ácido formilfórmico, que vem a ser um ácido aldeídico muito simples, exatamente como o formol, cuja fórmula linear é OHC-COOH.
Entendo que não há milagres “naturais” na área de estética. Se uma pessoa pretende reformatar o fio de cabelo precisa romper a estrutura da cisteina, atacando as pontes de enxofre do cabelo. Então, somente para que fique tudo muito claro, nessa nova moda de alisantes, quem faz a ação queratolítica, desestruturadora, é o ácido glioxílico, não tendo nenhum aminoácido essa capacidade. A meu ver, o que estes AA fazem é simplesmente tentar devolver um pouco de matéria ao fio agredido.
Qualquer tratamento químico, térmico ou mecânico para reformatar o fio de cabelo é potencialmente agressivo. Necessário se faz atacar a estrutura química original do fio para possibilitar o seu alisamento; assim, todo e qualquer tratamento químico com essa finalidade é danoso, causando a perda das propriedades originais do cabelo, como conteúdo hídrico, conteúdo em lipídios e de ceramidas, que constituem o cimento intercelular.
Por outro lado, vou registrar aqui a minha opinião sobre algumas propagandas e o consumo de produtos. Por exemplo, muitos consumidores pensam que estão comprando xampus sem sal, lançados por indústrias de xampu em períodos de crise comercial; mas, na realidade, os xampus disponíveis no mercado brasileiro contêm sal ou cloreto de sódio em sua formulação. Este sal é usado em concentrações muito baixas, apenas para dar consistência ao produto e pode ser identificado no rótulo como cloreto de sódio. O principal componente dos xampus possui nome complicado, qual seja: lauril sulfato de sódio ou lauril éter sulfato de sódio, que resulta em cloreto de sódio (o nosso sal!). Na produção de qualquer um deles acontece uma reação química que resulta em ressecamento dos cabelos cloreto.
Por isso, digo que todos os xampus contêm sal, em maior ou menor quantidade, mesmo os que anunciam “sem sal” em seus rótulos. Registro aqui que a única diferença é que este sal não possui a função de dar consistência ao xampu, mas foi gerado por uma reação química. Por mínimo que seja a quantidade de sal na fabricação de xampus, como no caso de se fazer dez litros de xampu com um grama de sal, como espessante, há uso desse composto iônico. Reafirmo que o sal (cloreto de sódio) é uma substância capaz de aumentar a viscosidade dos xampus, melhorando sua textura e sua consistência, ou seja, o sal encorpa o xampu, além de tirar alguns resíduos que os outros componentes não tiram, produzindo melhores resultados em cabelos oleosos.
Xampus e outros produtos usados nos cabelos devem ser como medicamentos, devendo ser receitados somente por profissionais habilitados, após a análise dos fios e do couro cabeludo de cada cliente, sem apelo comercial ou sem visar ao lucro, porque os produtos usados adequadamente garantem fios de cabelo mais bonitos, saudáveis, flexíveis e sedosos.
Assim, questiono-me se não estamos sendo lesados ou prejudicados com propagandas que, por vezes, nos induzem à compra e ao uso de produtos inadequados aos nossos cabelos, em razão de percepções equivocadas...
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